A criação deste Blogue, ideia de António Melo, tem como objectivo divulgar, defender o Sport Lisboa e Benfica e a sua Gloriosa história. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas o seu autor, Alberto Miguéns.

SEMANADA: ÚLTIMOS 7 ARTIGOS

12/10/2011

Que intrujice… À FC Porto

12/10/2011 + 42 Comentários API


O prometido é devido (em 28 de Setembro de 2011)

NOTA1: No EDB, tal como prometido, mostraremos a mentira do “Dia de Farsa” de 1893, com documentos coevos, em jornais, de Nicolau de Almeida e José Monteiro da Costa, precisamente evocando este no dia do seu nascimento em 12 de Outubro de 1881.

Tal como ficou escrito em 30 de Setembro de 2011 na nota acima transcrita do texto "Em Dia de Farsa Mais Uma Mentira", segue-se a Demonstração dessa Mentira com 33 anos.

EFEMÉRIDE
             
José Monteiro da Costa 12 de Outubro de 1881 / 30 de Janeiro de 1911 Fundador do FC Porto em 2 de Agosto de 1906





Hoje, completam-se 130 anos do nascimento, em 12 de Outubro de 1881, de José Monteiro da Costa, fundador do FC Porto, em 2 de Agosto de 1906, falecido aos 29 anos, em 30 de Janeiro de 1911.


José Monteiro da Costa foi durante muitos anos honrado pelos portistas como seu fundador, entre 1906 e 1987, ou seja, durante 81 anos. Até que Pinto da Costa, intrujão, decidiu que o FC Porto tinha sido fundado, em 28 de Setembro de 1893, por António Nicolau de Almeida, nascido em 19 de Outubro de 1873 e falecido, aos 74 anos, em 21 de Fevereiro de 1948.

A intrujice é tão grosseira que nem necessita de ser desmontada tão absurda é a aldrabice. Mas vamos aos factos.

Primeira intrujice: A suposta fundação
Em 28 de Setembro de 1893 um jornal de Lisboa, actualmente inexistente denominado “Diario Illustrado”, publicava a seguinte notícia.



A apropriação desta notícia como fundação do FC Porto é uma mentira que só lembra a aldrabões e é propagada (em propaganda), desde 1988, por idiotas que são cúmplices da aldrabice.

Há algumas questões que importa, desde já, salientar.

Por que saiu a notícia num jornal de Lisboa (que não eram lidos no Porto, a não ser esporadicamente e um dia depois), não havendo qualquer referência à fundação de um clube, nos onze jornais da cidade do Porto que se publicavam nesse tempo, incluindo os três maiores: Jornal de Notícias, Primeiro de Janeiro e Comércio do Porto? Nenhuma notícia em jornais da cidade onde o clube era fundado e interessava publicitar para atrair sócios?

Por que se assume a data de saída do jornal (em Lisboa) como data de fundação, sem que nada, acerca desse assunto, se refira no texto, pois não se escreveu “Fundou-se, hoje, no Porto…”

Por que se lança um repto a clubes de Lisboa, quando se sabia que na cidade do Porto a colónia inglesa da cidade disputava, pelo menos desde 1892, jogos no Campo Alegre (Campo dos Inglesinhos) entre associados do Oporto Cricket Club, do Oporto Tennis Club e de grupos episódicos de futebolistas ingleses?

Porque se destaca a popularidade do ciclismo (cycles)?

Para perceber a notícia – e as quatro questões - é necessário entender o futebol português entre a última década do século XIX e a primeira do século XX.

Três factos
O futebol era praticado, e visto, por um grupo muito restrito de pessoas. Os pouquíssimos jogos (por vezes 2/3 por… ano) eram realizados em terrenos públicos ou propriedades privadas. Os clubes, muitos com existência efémera, não tinham Sedes, nem Campos, nem moradas e telefones para contactos. Não havia competições oficiais ou oficiosas calendarizadas, mas apenas, e só, jogos esporádicos e raros, entre equipas.

Para combinar a realização de treinos ou jogos só existiam duas possibilidades. Combiná-los nas tertúlias, de sábado à noite e domingo, que reunissem alguns praticantes que depois podiam atrair outros jogadores nos dias seguintes, nos locais de trabalho, estudo e lazer. Lançar reptos através da publicação de notícias em jornais, desafiando outros futebolistas a jogar. As notícias em jornais eram mais difíceis de conseguir (era necessário uma “cunha”, o que em Portugal, até nem é difícil!), mas, obviamente, proporcionavam melhores resultados por serem públicas: mais divulgação (mais visibilidade), mais interesse (por haver mediatismo) e outro tipo de pessoas que não apenas os intervenientes, pois até quem não jogava podia passar pelo jogo como espectador.

O futebol em Lisboa estava muito mais desenvolvido que no Porto. Em Lisboa, praticava-se por ingleses e portugueses, desde 1888, em Cascais e 1889, em Lisboa. Havia jogos em propriedades privadas de empresas inglesas (Quinta Nova em Carcavelos e Cruz Quebrada) e em terrenos públicos – Campo Pequeno e Terras do Desembargador, às Salésias de Belém. Havia clubes bem organizados, já com histórico. Havia acompanhamento, ainda que rudimentar, da imprensa lisbonense. Havia divulgação pública e mediática.
No Porto, o futebol era jogo de ingleses, praticamente privativo, no Campo Alegre, apenas acessível a portugueses que fossem amigos de ingleses que jogassem. Daí que em 1906 é famosa a frase do sócio n.º 3 do FCP, António Martins que escreve a propósito das dificuldades em transformar o Grupo do Destino em FC Porto: “… o desconhecimento completo, por parte de todos os sócios, de tal jogo…”


Perceber a notícia
Tendo em conta o futebol da época, em particular no Porto, os portugueses que quisessem começar a jogar futebol dificilmente o poderiam fazer defrontando os mais experientes ingleses. Se em Lisboa, era muitíssimo difícil aos portugueses defrontarem ingleses, no Porto seria impossível. Sabe-se que a colónia inglesa portuense, ainda era, socialmente mais elitista que a lisbonense. O futebol, e o desporto, não seriam excepção, em relação às outras actividades sócioculturais. Em Lisboa, os futebolistas portugueses tinham de se “afamar”, ou seja, ganharem notoriedade de muito bons/ imbatíveis perante os outros grupos de futebolistas portugueses para serem aceites como adversários pelos ingleses. No Porto, além do elitismo inglês, nem sequer havia tradição de disputas futebolísticas entre portugueses. Ou seja, no Porto, os portugueses que quisessem aprender a jogar futebol tinham de o fazer entre eles, entre quem não tinha experiência. Não podiam “contar” com os ingleses. Caso complicado!

Sabe-se, porque há notícias e documentação, que António Nicolau de Almeida (ANA) pertencia ao Velo Club do Porto (fundado em 29 de Outubro de 1892), grupo que evoluiu a partir do Clube Velocipedista Portuense, fundado em 9 de Março de 1880. A primeira competição “desportiva” de ciclismo, no Porto, realizou-se em 18 de Julho de 1880, entre a Alameda de Matosinhos e o Passeio Alegre, na Foz. Depois de algum declínio, o interesse pelo ciclismo aumenta entre os portuenses, com a reorganização, em 1892, do Velo Club do Porto (VCP), depois de 1894, designado por Real Velo Club. É muito provável que os associados do VCP, essencialmente portugueses, se interessassem, também, pelo futebol. Com poucas possibilidades, ou mesmo impossibilitados, de o jogar com quem já tinha experiência (os ingleses do Porto), sabendo pela Imprensa e conversas de café que em Lisboa o futebol florescia entre os portugueses e que o melhor modo de defrontar clubes de futebol lisbonenses, era arranjar um “nome de futebol”, publicitá-lo num jornal de Lisboa e lançar um repto aos clubes e futebolistas de Lisboa. Parece a única – pelo menos a mais verosímil – explicação para entender a notícia do “Diario Illustrado” de 28 de Setembro de 1893.

Pelos documentos da época, em 1893, os elementos do Football-Club do Porto eram, tal como ANA, sócios do VCP. É evidente que se quisessem ter credibilidade para conseguir defrontar futebolistas de Lisboa, não podiam noticiar que o “Velo Club do Porto apure um grupo rijo de jogadores…”. Era a galhofa total em Lisboa. Então velocipedistas portuenses sem experiência de futebol desafiavam futebolistas com experiência em Lisboa? Ridículo! Precisavam de se afirmar como futebolistas para serem aceites. Precisavam de um nome que os individualizasse e demarcasse do ciclismo. E mesmo assim era difícil. Como foi! Aliás, o jogo nunca se realizou!   

Resposta às quatro questões:
A notícia saiu num jornal de Lisboa (e em nenhum do Porto) por que os sócios do VCP, interessados em jogar futebol – arranjando um nome simples que os identificasse Futebol, Club e Porto – queriam divulgar em Lisboa que havia futebolistas na cidade do Porto e que estes tinham interesse (e iriam ter capacidade) para defrontar os de Lisboa. Os sócios do VCP nem queriam mais ninguém, a não ser eles, se não divulgavam o clube nos jornais do Porto para atrair mais jogadores. Não necessitavam de divulgação pública, pois encontravam-se regularmente, porque eram sócios, no VCP.



Dia da fundação como dia do jornal! Quando em 1988, se decidiu ultrajar a história do FCP, alterando a fundação, não havendo documentos, nem NADA, a não ser uma data de saída de uma notícia num jornal, o FCP deixava de ter data exacta (2 de Agosto de 1906) de fundação para um qualquer dia de 1893. Não havendo datas, restava uma data, a do dia da saída da notícia num jornal de Lisboa. Isto é ridículo. Isto devia envergonhar os portistas. A data de fundação do seu clube é a data de um jornal chamado “Diario Illustrado”! Que nada diz acerca de ser esse dia o da fundação do pretenso Football-Club do Porto! Uma aberração! Em concreto, 28 de Setembro de 1893 é a data de saída de uma notícia. Não é a data de fundação desse Football-Club do Porto. Esta ninguém sabe qual é. Podia ser antes ou depois. Ou não passar de uma tentativa, por que ao escrever-se “Fundou-se” estava-se já a afirmar o clube perante os futebolistas de Lisboa. Mesmo assim ninguém lhes ligou. Olhem se ainda fossem escrever: “Vai fundar-se…” ou “Vai tentar fundar-se…”. Era a risota e o descrédito total.
O repto é lançado num jornal de Lisboa, para futebolistas de Lisboa, devido à dificuldade (impossibilidade) em jogar no Campo Alegre, onde se realizavam, ainda que episodicamente, jogos entre equipas de ingleses, com acesso muito restrito, a não ser aos ingleses ou amigos destes. A possibilidade era defrontar outros portugueses, mas estes, só de Lisboa, onde se sabia haver, já, um número elevado de praticantes portugueses.
Se a notícia foi publicada em 28 de Setembro de 1893, teria de ser escrita algum tempo antes, pois ainda demoraria algum tempo a chegar a Lisboa, vinda do Porto e outro tanto tempo até ser decidida e concretizada a sua publicação. Estamos em 1893… a menos que já houvesse telemóveis e internet!

A referência no final da notícia, ao ciclismo, serve para credibilizar os futebolistas. Sendo os “futebolistas” associados do VCP, a modalidade era o ciclismo, que já ganhara importância (e renome) entre os desportistas. Como está escrito, queriam ser no futebol, o que já eram no ciclismo “… para animar os desafios de football como já o são as corridas de cycles.”

Segunda intrujice: A suposta existência
Em 2 de Março de 1894 realizou-se um jogo de futebol entre futebolistas de Lisboa e do Porto. Mas não do Football-Club do Porto. Nos jornais que noticiam a realização do encontro não há qualquer referência a clubes, mas unicamente a cidades, até porque o troféu destinava-se a jogos entre cidades, entre selecções de futebolistas de cidades, não de clubes, como se constata na foto da equipa vencedora, a da cidade de Lisboa (ver bola) e da crónica do jogo.

A Taça (hoje no CIF) tem a seguinte legenda: “Football Championship das Cidades de Portugal”.

Diario Illustrado (Lisboa) 5 de Março de 1894

 
É mentira que fosse um jogo entre o Club Lisbonense e o Football-Club do Porto. Não há nenhuma notícia em qualquer dos jornais que o relatou, depois de 2 de Março de 1894, referente ao jogo, que fale em clubes ou no nome de clubes. É sempre de cidades. O que há é na actualidade uma tentativa de dizer que é o Football-Club do Porto, para dar a este clube uma prova de existência, de pelo menos cinco meses, com um jogo, depois da notícia de 28 de Setembro de 1893.
Se aos jogadores portuenses é mais difícil atribuir-lhes “o clube de origem” pelo facto do futebol nessa cidade ser assunto interno de ingleses sem divulgação conhecida em jornais ou publicações, já os que jogaram por Lisboa consegue-se com facilidade (e justificação em notícias) saber em que clubes jogavam. Então temos:

Posição
Futebolista
Clube
Guarda-redes
Guilherme Pinto Basto
Club Lisbonense
Defesa à direita
M. Keating
Carcavellos Club
Defesa à esquerda
R. Locke
Lisbon Cricket Club
Médio à direita
C.D. Raskin
Lisbon Cricket Club
Médio ao centro
Clyde de Barley
Club Lisbonense
Médio à esquerda
Paiva Raposo
Club Lisbonense
Ponta à direita
F. Palmer
Carcavellos Club
Meio-ponta à dir.
Carlos Villar
Club Lisbonense
Avançado-centro
J. Pittuck
Carcavellos Club
Meio-ponta à esq.
Afonso Villar
Club Lisbonense
Ponta à esquerda
J. Thompson
Carcavellos Club

Assim, temos uma selecção/ misto de onze jogadores a representar a cidade de Lisboa que jogavam, habitualmente, em três clubes: Club Lisbonense (5), Carcavellos Cricket and Football Club (4) e Lisbon Cricket Club (2).

Quanto aos jogadores portuenses, localizar os clubes onde jogavam é mais difícil, optando por indicar para além do clube o ano em que aparecem referenciados como alinhando pelo clube. É fácil de perceber que o ano é posterior a 1894, pois só em finais do século XIX os jornais portuenses começam a relatar os esporádicos jogos de futebol realizados na cidade.

Posição
Futebolista
Clube (1897)
Guarda-redes
Mac Geock
Oporto Cricket Club
Defesa à direita
F.Guindarans
indeterminado
Defesa à esquerda
A. Nugent
Real Velo Club
Médio à direita
Arthur Dagge
Oporto Cricket Club
Médio ao centro
Mac Millan
Real Velo Club
Médio à esquerda
Albert Kendall
Real Velo Club
Ponta à direita
F. Hugh Ponsonly
Oporto Cricket Club
Meio-ponta à dir.
Adolfo Ramos
indeterminado
Avançado-centro
Mac Kechnie
Real Velo Club
Meio-ponta à esq.
R. Ray
Oporto Cricket Club
Ponta à esquerda
Alfred Kendall
Real Velo Club

Assim, temos que em 24 de Fevereiro de 1897, no Campo Alegre, defrontaram-se os dois únicos clubes com futebol, então existentes, na cidade do Porto. O Oporto CC venceu, por 3-0, o Real VC. Dos onze jogadores que haviam jogado pela cidade do Porto, dois não jogaram em 1897, quatro jogavam no Oporto CC e cinco no Real Velo Club, que era tudo indica a origem, em 1893, de uma espécie de secção denominada Football-Club do Porto, nome utilizado para não serem ridicularizados como ciclistas do Porto que queriam defrontar futebolistas de Lisboa.

Finalmente uma pergunta, pois perguntar não ofende.
Deixamos, em baixo, a lista com “Os primeiros 100 sócios da fundação” do FC Porto, como anota António Rodrigues Teles: “De Agosto de 1906 a Abril de 1907, inscreveram-se 100 associados”.


Página 68 da História do FC Porto publicada por António Rodrigues Teles


Numa lista com cem nomes, não há qualquer um que se chame António Nicolau de Almeida. A menos que utilize pseudónimos ou heterónimos.

Então o FCP teve um fundador, presidente e tudo mais que se lhe quiser acrescentar, porque só aumenta o número das mentiras, que nunca foi sócio do FC Porto?

António Nicolau de Almeida (ANA) não consta dos primeiros 100 associados, nem dos restantes! Nunca houve um registo de associado com o seu nome, como demonstra António Rodrigues Teles (que sabia dessa história de 1893, escrevendo que não havia relação entre uma notícia de jornal e as entrevistas que fez a fundadores e associados mais antigos), no 3.º volume da História do FC Porto, publicado em fascículos, em 1956, para comemorar as “Bodas de Ouro do FCP”.

ANA viveu no Porto, foi personalidade no meio financeiro do negócio vinhateiro, certamente conviveu com alguns portistas, viu jogos do FCP e nunca foi sócio do FCP? Mas foi fundador, presidente e tudo o mais que a imaginação lhe queira acrescentar! 


António Nicolau de Almeida nunca foi sócio do FC Porto. Se fosse teria, até falecer em 1948, um cartão semelhante a este. FUNDADO EM 1906.

ANA faleceu em 21 de Fevereiro de 1948, ou seja, durante 41 anos (entre 2 de Agosto de 1906 e a data do seu falecimento) ignorou, sempre, o clube que fundou!?


Placa inventada em 2011 no âmbito do projecto "Viver a Rua". Tentam tudo para apagar o passado (verdadeiro) e fazer vigorar a mentira criada em 1988

Um leitor sugeriu outra pergunta
ANA faleceu 41 anos depois de 1906. O FC Porto homenageou todos os anos, em 2 de Agosto, entre 1911 (falecimento de José Monteiro da Costa) e 1948 (falecimento de ANA) - depois até 1987 - o seu fundador José Monteiro da Costa. Então ANA, estando vivo, nunca corrigiu o erro, nunca esclareceu o que se passou no início do clube, nunca se indignou com tamanha inexactidão, repondo a verdade? Esteve vivo até 1948 e deixou que fosse atribuído a José Monteiro da Costa a paternidade do FC Porto? Nem ele, nem os seus familiares, estes até entre 1948 e 1987, reivindicaram a fundação do clube? Como foi possível? Foi... porque ANA não era mentiroso. Sabia que não tinha sido ele a fundar o FC Porto, mas sim José Monteiro da Costa. ANA era honesto, ao contrário de Pinto da Costa e dos seus cúmplices nesta mentira rasca de fazer o FCP... 13 anos mais velhinho! Lérias...  

O Football-Club do Porto fundado em 1893 não tem actividade desportiva em…
1893…1894…1895…1896…1897…1898…1899…1900…1901…
1902…1903…1904…1905…1906 (até 2 de Agosto…). 
Mentirosos! Vocês são, mesmo, muito mentirosos!

Com mentiras tão grosseiras, inventadas e cultivadas pelo portismo e seus cúmplices, só se deixa enganar quem quer ser enganado… Chega!

Com estas notas encerra-se a explicação dessa aberração que é considerar o FC Porto com data de fundação referente a 28 de Setembro de 1893. A intrujice é tão grosseira que nem merece que se perca mais tempo com ela. Estão aí as notícias, os factos e as explicações. Para bom entendedor meia palavra basta…

Alberto Miguéns
42 comentários
comentários
  1. Clap! Clap! Clap!

    Lapidar meu caro Alberto.

    ResponderEliminar
  2. Grande trabalho e muito interesante! A mentira tem perna curta!

    ResponderEliminar
  3. Jonny8Forever12/10/11 13:13

    Engulam esta mentirosos!

    ResponderEliminar
  4. Caro Senhor (com letra grande) Alberto,

    Do excelente artigo que aqui publica eu só fico com estas dúvidas:

    1. Então o ANA funda um clube de Football e no único jogo que se lhe conhece nem sequer joga, apesar de na altura ter apenas 24 anos?

    2. O homem vive os primeiros 55 anos de vida do seu clube (contando que foi fundado em 1893), dos quais 42 anos são a venerar o sr. Monteiro como fundador, e nem estrebucha?

    3. Cosme Damião e o visconde de alvalade foram alguns dos 100 primeiros sócios dos seus clubes e ANA limitou-se a fundar a coisa e nem pagou quotas?

    4. O football club do porto disputa um jogo contra Lisboa entrando em campo com 11 jogadores sendo que nenhum deles aparece na lista dos 100 primeiros sócios da agremiação em 1907, quando todos sabemos, as equipas da altura eram formadas pelos seus sócios?

    ResponderEliminar
  5. Esse clube é uma grande "ALDRAVICE"

    BENFICA SEMPRE

    ResponderEliminar
  6. Fantástico sr. Constantino.

    A 2.ª questão é fulcral. No alvo. Então ANA viveu tantos anos, 41 (entre 1906 e 1948) com o FCP a homenagear José Monteiro da Costa e nunca se pronunciou, esclarecendo e exigindo que fosse reposta a verdade.

    Eu não me lembrei disto. Mas... é um facto arrasador para mostrar a intrujice hedionda.

    Obrigado pelo seu comentário.

    Alberto Miguéns

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. PORQUE HAVIA DE TER INVEJA??O TEU COSME DAMIÃO APRECE NA ACTA DA FUNDAÇÃO DO TEU CLUBE??OS OUTROS DEVEM 24 DEVEM TER TIDO UMA INVEJA ALGUÉM SER CHAMADO DE FUNDADOR,QUNDO NEM APARECE COMO FUNDADOR NEM COMO PRESIDENTE...

      Eliminar
  7. Excelente artigo que irei partilhar com amigos porquistas.

    Há outra questão pertinente. Basta consultar os jornais desportivos na altura dos aniversários, sobretudo dos redondos (25 anos, 50, 75) para perceber-se a intrujice que estes bácoros fizeram. Aliando isso ao facto que com tanto destaque que era dado nessa altura com palavras do estilo "baluarte do desporto do norte", nem o pretenso fundador de 1893 nem a respectiva família alguma vez reclamou/aram estarem a marginalizar o homem e a retirarem-lhe o mérito.

    Isto foi uma grande encomenda ao amigo do Topo Giggio, que lá lhes deu a história que lhes convinha; a superficialidade e os meios que existem hoje de disseminar mentiras (nomeadamente a internet), fizeram o resto. A questão, ao estilo dos Aguaviva, é "Onde estão os portistas honestos de hoje?"

    Abraço,
    Jorge.

    ResponderEliminar
  8. Ou eu percebi mal, ou aquela gente vigarista do norte quer nos convencer que o fundador do clube o fundou com 12/13 anos de idade?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. 12 /13 ANOS??SÃO 20 ANOS PÁ...1873 FOI O ANO QUE ANTONIO NICOLAU DE ALMEIDA NASCEU...

      OU É IRONIA A ESTES??

      Eliminar
  9. GRANDE ARTIGO!! GENTINHA TONTA A DAS ANTAS, BASTA VER EM LIVROS DE HISTÓRIA DO FUTEBOL PORTUGUES EDITADOS ANTES, MUITO ANTES DE 1987 PARA VER QUE O PORTO FOI FUNDADO EM 1906 E NÃO EM 1893!!! MAS É ASSIM A VIDA PACIENCIA!!

    ResponderEliminar
  10. Eh pá, excelente artigo! Os cabrões dos corruptos nem se dão ao trabalho de pesquisar a própria história(corrupta)... Então altera-se a data de fundação e os carneirinhos vão na cantiga?!! Há muitos episódios acerca das trafulhices dos gajos, desde ficarem com o campo de outro clube...isto muito antes do corrupto-mor ir para lá!! Toda a história deles está ensombrada por corrupção e jogos de bastidores...

    Abraços

    ResponderEliminar
  11. mto bem conseguido este artigo,apenas keria ressalvar k essa mentira e sustentada ate pela propria internet k na wikipedia menciona a dita data de 1893, e tb o famoso jogo( que seria o seu 1º jogo)contra lisboa em 1897...a minha pergunta e? 4 anos para realizar o 1º jogo???? serio???? nao se lembraram de outra???? o pior e que tudo isso consta na wikipedia cm sendo um facto real e nao uma mentira hedionda motivada pela dor de cutovelo desse senhor do norte, como diria uma certa personagem de um programa desportivo do canal publico, um mafías...jorge nuno pinto da costa! mas ate nisso sao burros cm calhaus com olhos, pois so confirmavam a nossa superioridade enquanto clube e instituiçao desportiva com essa mentira absurda, pois em menos anos de existencia teriamos mais titulos nacionais que o porto!!! ridiculos, mas enfim...sabemos quem somos e de onde vimos, ja eles pareçe que nao...força benfica rumo ao 33º titulo de campeao nacional

    ResponderEliminar
  12. Tanto trabalho a escrever algo para parecer coerente e credível e para quê? Para nada. Apenas para meia dúzia de pacóvios que se acreditam em tudo que lêem e sem qualquer vontade ou capacidade de ir por si investigar e esclarecer qualquer dúvida que tenham sobre esta questão. Na verdade, o pior cego não é aquele que não quer ver, mas aquele que finge não querer ver. E esse tem sido o erro do vosso clube durante este últimos 30 anos.

    Pior que o mentiroso, é o ignorante por vontade própria.

    Ah, e já agora deixo aqui uns documentos, como se de uma ajudinha se tratasse para o vosso trabalho de casa, ok? Vá, tome lá. http://bitri.blogs.sapo.pt/tag/club+lisbonense

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Miguel Viana

      Esses "documentos" é tudo treta à fcp. Isso é a tese de 1987 de Rui Guedes na Fotobiografia do FCP das publicações D. Quixote que (não é por acaso)está proibida pelo Pintinho de ser reeditada. A noticia é a do jornal DI no seguimento da tal notícia de 28 de Setembro de 1893 que passou a ser a df do fcp, ou seja não comemoram a df mas sim a data em que foi publicada uma notícia no DI (em Lisboa) quando não há nenhum jornal da cidade a noticiar qualquer fcp! A carta não se sabe quem a forjou!

      Não vale a pena discutir futebol nem história do futebol com adeptos formatados num clube corrupto, dos mais corruptos do mundo. Se ainda não viu escreva google, depois Youtube, depois Apito dourado. Vai envergonhar-se do que o seu clube andou a fazer. e olhe que foram registos de apenas 6 meses. Olhe se fossem 30 anos. Entupiam o Youtube.

      Vocês são um bando de vigaristas com as costas quentes. FCP a maior fonte de corrupção em Portugal.

      Alberto Miguéns

      Eliminar
    2. Anónimo5/4/14 22:55

      A Liga dos Campeões de 86/87 também foi corrupção, seu malcriado? A Supertaça Europeia de 87 também foi corrupção, seu malcriado? A Taça UEFA de 02/03 também foi corrupção, seu malcriado? A Liga dos Campeões de 03/04 também foi corrupção, seu malcriado? A Liga Europa de 10/11 também foi corrupção, seu malcriado? Não deixam de ser irônicas essas afirmações vindas de um clube que atingiu o seu auge sob proteção de um horroroso regime facista...

      Eliminar
    3. Bruno Paiva29/8/14 23:19

      O doping explicado pelo casanova, os jantares com os arbitros do villarreal, o calendario escolhido criteriosamente no tempo de mourinho, as facilidades dadas pelos arbitros para que as reservas ganhassem no campeonato portugues e os titulares jogassem na europa, os gamancos sobretudo frente ao manchester united com aquele fora de jogo inexistente do scholes, os jogos com o SL Benfica às terças-feiras, etc etc

      So podem estar a gozar e muito mais havia para dizer, mas nao quero sujar a língua com corruptos, vigaristas que nem o Marselha e Juventus juntos conseguiriam chegar aos calcanhares do porto. a historia ninguem apaga corruptos apesar de tudo fazerem para a tentar alterar. Indecoroso!

      Eliminar
  13. Caro Alberto, e entao a referida carta assinada pelo presidente: tambem e falsa? FC Porto - a vencer desde 1893.

    Rui

    ResponderEliminar
  14. "Por que se assume a data de saída do jornal (em Lisboa) como data de fundação, sem que nada, acerca desse assunto, se refira no texto, pois não se escreveu “Fundou-se, hoje, no Porto…” "

    Enfim... quererá dizer que não sendo o dia da publicação da noticia, a data de fundação do FCP, será então anterior, sendo desta forma ainda mais antiga.

    O interrupção de actividade de clubes fundados no final do sec XIX e as primeiras décadas do sec XX, é bastante comum, para quem conhece a história desportiva em Portugal. Um exemplo é o ABC (Académico Basket Clube de Braga), fundado em 1933 esteve 11 anos sem qualquer tipo de actividade e teve outras paragens mais pequenas em anos seguintes, fosse por razões simplesmente de moda... as modalidades caiam ou fosse por razões financeiras. Muitos outros clubes tiveram semelhante percurso.
    No caso do FCP, foi sem dúvida alguma a 1ª... Foi uma moda passageira, isto do foot ball.

    Tinha argumentos para rebater sistematicamente os seus.

    Contudo, dificilmente consegue rebater o seguinte argumento.

    Como pode um clube chamado Sport Lisboa e Benfica, ter uma data de fundação anterior a data que consta na sua acta de fundação? Esquizofrenia Cronológica?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Leitor

      Eu não costumo debater assuntos com adeptos de clubes corruptos, tal como a Juventus, o FC Porto ou o Marselha.

      Mas os seus argumentos são tão infantis...

      Se o FCP não foi fundado em 28 de Setembro de 1893 - o jornal era de Lisboa e nesse tempo não havia telefones e correio electrónico para enviar notícias, até pode ter sido fundado em 1892 ou antes. Então porque comemoram num dia que é mentira? Não é estar 13 anos é nunca ter existido. Se existisse noticiavam num jornal da cidade onde foram fundados e havia muitos jornais - pelo menos seis diários. Em nenhum há qualquer referência a um clube. Ou seja noticiavam a fundação de um clube do Porto num jornal da cidade de Lisboa. Que interesse? Interessava era angariar sócios ou divulgar a existência no local não era numa cidade que ficava a mais de 16 horas de distância de comboio. Não noticiaram porque não existiam. E na cidade do Porto os jornais não iam noticiar a fundação de uma inexistência.

      O tal FCP até pode ter mais de 120 anos! Sabe-se lá quando foi fundado ou não!

      António Nicolau d' Almeida viveu até 1948. Nunca foi sócio do clube que fundou. Nunca repôs a verdade. Deixou o clube que fundou "andar enganado na história" e "honrar anualmente" Monteiro da Costa! Se isso aconteceu mostrou desprezo pelo FC Porto. O fundador de 1893 desprezou toda a sua vida o clube. Morreu com o clube a comemorar a data de fundação em 6 de Agosto de 1906 e a homenagear o fundador e primeiro presidente José Monteiro da Costa. É uma vergonha.

      A acta de fundação do Clube tem lá escrito 24 de Fevereiro de 1904. O clube chamava-se era Grupo Sport Lisboa. Em 13 de Setembro de 1908 passou a designar-se Sport Lisboa e Benfica. Sempre disse isso. E com orgulho. Nunca escondeu. Nem descobriu mais tarde! Transparência total. Não inventou datas - nem de cabeçalhos de um jornal do Porto - 80 anos depois! Em 1909 comemorou o 5.º ano da fundação. Mudar de nome não é deixar de ser. Como se sabe. Se não até Portugal datava de 5 de Outubro de 1910 quando deixou de ser Reino de Portugal e passou a República Portuguesa, ainda que o nome porque é conhecido seja Portugal.

      Alberto Miguéns

      Eliminar
    2. Anónimo5/4/14 20:24

      O Porto é, dos Três Grandes, o mais antigo como a edição de 28 de Setembro do "Diário Illustrado" (1872-1911) e a carta a Guilherme Basto assim nos indicam (http://2.bp.blogspot.com/-7yw3ucttWZ0/UEqTP9R22oI/AAAAAAAADXw/icAKdAjvL5I/s1600/1893.jpg) e o resto é conversa.

      "A ligação Futebol Clube do Porto - António Nicolau d'Almeida e a amizade comprovada deste último com o britânico Mackechnie deveria ter certa influência com a iniciativa de José Monteiro da Costa, de mais a mais sabendo-se da presença no "novo clube" de Mackechnie, Rumsey, Wright e ainda Ernesto Sá, - que antes de 1906 também jogara em Matosinhos, no tal campo do Prado".

      Decidiu-se lançar o repto ao clube para repor a data de fundação do Futebol Clube do Porto para 28 de Setembro de 1893.

      "É inegável a importância que Monteiro da Costa teve no FCP e atrevo-me até a afirmar que, sem ele, o clube não teria passado de uma experiência curiosa já esquecida. Mas também não será justo não atribuir a António Nicolau d'Almeida o correcto lugar de pioneiro e fundador do FCP, a elevação do Clube à presença Real e o incentivo e apoio posteriores a José Monteiro da Costa."

      O desafio foi lançado aos associados do clube, em Assembleia-Geral realizada a Fevereiro de 1988, que aprovaram, então, a alteração.

      Eliminar
    3. Anónimo6/4/14 00:08

      Em 1910, Portugal não fundiu-se com outra nação, apenas mudou de regime e consequentemente de nome. Tal como é consensual que em 1939, a trajetória do célebre e histórico Corinthian teve o seu fim quando este fundiu-se ao Casuals para formar o Corinthian-Casuals Football-Club, a trajetória do Sport Lisboa também teve o seu fim quando este fundiu-se com o Sport Club Benfica para formar o Sporting Lisboa e Benfica.

      Considerar o ano de 1906 como o ano de fundação do Futebol Clube do Porto ao invés do ano de 1893 foi um erro histórico finalmente corrigido em 1988 pela massa associativa do clube.

      Só meia dúzia de perigosos fundamentalistas do Benfica é que acreditam nas suas balelas anti-portistas...

      Futebol Clube do Porto a vencer desde 1893.

      Eliminar
    4. Anónimo6/4/14 00:47

      "Não é estar 13 anos é nunca ter existido".

      Resposta:"O FCP existiu, portanto, desde que alguém sob esse nome constituiu um grupo, vestiu uma camisola e ganhou ou perdeu desafios de futebol."

      De que é que serviria ao Futebol Clube do Porto anunciar a sua fundação nos jornais portuenses se, na década de 90 do século XIX, o futebol tinha tão pouca força em Portugal, ainda para mais no Norte, como nos descreve Cândido Oliveira: "Não havia aficion nem o futebol era um verdadeiro espetáculo público. Era apenas desporto..." Não havia sócios para angariar, nem público para assistir, tratava-se apenas de desporto. O único interesse do Futebol Clube do Porto em anunciar a sua fundação no jornal lisboeta "Diario Illustrado" (1872-1911) foi o de encontrar adversários para a disputa de desafios de futebol.

      Vários documentos atestam o Futebol Clube do Porto como um clube fundado em 1893, só não vê quem não quer ver. Somos o mais antigo dos Três Grandes, por mais triste que isso possa serrado para ti e para a meia dúzia de perigosos fundamentalistas que acreditaram na tua balela...

      Eliminar
    5. O fundador devia odiar o clube que fundou. Nunca se fez sócio e não corrigiu o erro. Mesmo vivendo e convivendo desde 1906 até 1948.

      Eh pá! Vão enganar outro!

      Alberto Miguéns

      Eliminar
  15. Bruno Paiva18/4/14 23:57

    Portanto os portistas defendem que existe um FC Porto desde 1893, só não sabem é o nome dos sócios, dos jogadores, ou de mais ninguém nem de nada, só sabem que existe um senhor chamado Nicolau D'Almeida.


    E portanto o que sabemos é que este senhor o Fundador e Presidente do dito FC Porto, depois de 1893 eclipsou-se e nunca mais se ouviu falar dele no FC Porto. Nem ia ver os jogos, nem era sócio, e portanto nem dinheiro dava ao clube criado por ele mesmo, nem se interessava pela vida do clube que supostamente criou, enfim pior que isso nem nunca reclamou a paternidade do "seu" clube!


    O Senhor Nicolau D'Almeida faleceu em 1948, acho que era demasiado tempo para vir a terreno com provas reclamar a fundação, mas não para quê ? que interessava ? hehe


    Já que falamos do FC Porto (que merece todo o respeito pois os fundadores não têm culpa da vergonha do que se passa hoje em dia) só me apetece acabar em ironia ao estilo de quem nós sabemos, e dizer:

    - Louvado seja o pinto da costa que conseguiu quase 100 anos depois descobrir o que ninguém conseguiu e finalmente fez justiça ao Nicolau D' Almeida destituindo finalmente aquele falso do Monteiro da Costa, (presunçoso a fazer-se passar por fundador tsc tsc homens sem nível e a viver em mentira no FC Porto, onde é que isto já se viu?) e recolocando o sr. Nicolau como legítimo fundador .


    Já agora não resisto e termino com uma pergunta ao Anónimo, já que ignorou os factos todos apresentados pelo sr Alberto Miguéns:

    Na sua opinião como acha que o senhor José Monteiro da Costa e os 100 primeiros sócios do FC Porto conseguiam viver, ignorando o seu grande Fundador Nicolau D'Almeida e honrando José Monteiro da Costa ?

    A) Eram todos pessoas reles, pois desprezavam constantemente o verdadeiro fundador do clube.
    B) Nem se quer tinham conhecimento do fundador Nicolau e como tal não não tinham culpa, pois a ignorância não é pecado.
    C) andavam a brincar aos fundadores, algo típico naquela altura, e não havia nenhuma importância em tirar o fundador Nicolau D'Almeida e colocar o fundador José Monteiro da Costa no clube do Porto.
    D) Outro subterfúgio inventado à pressão

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Portanto os portistas defendem que existe um FC Porto desde 1893, só não sabem é o nome dos sócios, dos jogadores, ou de mais ninguém nem de nada, só sabem que existe um senhor chamado Nicolau D'Almeida.

      E TU SABES DOS TEUS 24 FUNDADORES??OU OS SÓCIO E JOGADORES??AHAHH...AO MENOS SABEMOS O NICOLAU DE ALMEIDA,VOCES FALAM DE 1 COSME DAMIÃO QUE NÃO ENTRA NA ACTA DA FUNDAÇÃO...AHAHAH

      Eliminar
  16. estão todos enganados! O club dos andrades corruptos assumidos já era agrupamento de arruaceiros por volta de 1143 mais ou menos; e a prova é que no torneio de Arcos de Valdevez já existia a bandeira com cores de barraca de praia, azul e branco às riscas!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bruno Paiva29/8/14 23:05

      Ramiro isso foi em Junho, em Agosto parece que ja descobriram em alqueva umas imagens com uns tipos a correrem e uma bola no meio deles. Como a cor com o tempo desgastou-se aproveitaram as riscas verticais para presumirem que era o futebol clube do porto. Sao os mais antigos do mundo! Ahahah

      Eliminar
  17. Os portistas agarram-se à verdade incontestada segundo a qual "Monteiro da Costa e Nicolau d'Almeida eram amigos e foi este último que impulsionou Monteiro da Costa a prosseguir o seu Futebol Clube do Porto".
    Eu apenas pergunto o seguinte. Nas publicações pré-1987 sobre o FCP onde é que está escrito que Monteiro da Costa e Nicolau d'Almeida eram amigos? Rodrigues Teles ou Camilo Monis, homens conhecedores dos primórdios do FCP alguma vez disseram ou escreveam que Monteiro da Costa e Nicolau d'Almeida eram amigos?
    Creio que essa questão devia ser esclarecida para se saber onde surgiu essa ideia que ambos se conheciam e que eram, inclusive, amigos.
    Bem. Creio que grandes amigos não deviam ser porque Nicolau d'Almeida nem sequer foi sócio do FCP de Monteiro da Costa (ou será que foi a sua esposa, Hilda Ramsey, que já o havia proibido de jogar futebol em 1893, também o terá impedido de ser sócio de um clube?).
    Tenho também muita curiosidade relativamente à tal carta enviada por António Nicolau d'Almeida a Guilherme Pinto Basto e que está datada de 25 de Outubro de 1893. Urge perguntar porque razão essa carta andou desaparecida desde 1893 e reapareceu tão convenientemente após o FCP decidir a actualização da data em assembleia geral (o que já de si é bizarro decidir a data da fundação em Assembleia Geral. Olhem se agora todos os clubes se lembrassem de decidir a data da sua fundação em Assembleias Gerais).
    Mas ainda em relação à suposta carta de Nicolau d'Almeida há um detalhe deveras interessante que recai sobre o carimbo com os dizeres "Football Club do Porto" é o facto deste carimbo estar absolutamente imaculado, mesmo depois da caneta com a palavra "presidente" lhe ter passado por cima.
    Quem tem algumas noções de filatelia e quem já tenha estado em contacto com envelopes postais do final do séc. XIX sabe que naquela altura utilizava-se uma tinta preta muito oleosa que, quase sempre, esborratava. É quase impossível deitar as mãos a envelopes postais dessa altura em que os carimbos dos correios não estejam esborratados.
    Comparem por exemplo com esta carta assinada por Pinto da Costa em 1985 e verão que o carimbro com os dizeres "Pelo Futebol Clube do Porto" está muito mais esbatido.
    Já agora, não deixa de ser curioso que em ambas as cartas com cerca de 92 anos de distância se utiliza a mesma terminologia "Pelo-Futebol Clube do Porto-Presidente".

    http://bitri.blogs.sapo.pt/tag/club+lisbonense

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Excelentes argumentos.

      Breves notas:

      1. Essas amizades são suposições pós-1987 para justificar a alteração da data. Nenhum dos fundadores - António Martins e Camilo Monis - que conheceram José Monteiro da Costa e escreveram acerca da fundação escreveram sobre isso. Pelo contrário. Dizem que JMC escrevia de Inglaterra a querer organizar um cube. Mentira grosseira;

      2. Se ANA incentivasse JMC a "continuar" o seu FCP seria sócio do clube. Incentivou e não se associou em 1906! Viveu até 1948 e nunca foi sócio! Ridículo;

      3. Mesmo que houvesse carta (e nada garante que não tenha sido forjada) nunca houve jogo. O jogo em 1894 é entre futebolistas (selecções) das duas cidades. é assim que é descrito na Imprensa!

      Eliminar
    2. tens razão...tal como a acta do benfica da sua fundação dizer farmacia com "F" e não com PH como era escrito...

      Eliminar
    3. ESTA TÁ TÃO BOA QUE NEM OLEOSA ESTÁ https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Benfica_e_Sporting#/media/File:Acta_Funda%C3%A7%C3%A3o_SLBenfica_1904.jpg

      Eliminar
    4. Sobre a teoria do "ph" favor ler a página 9 do "bases da ortografia Portuguesa editado em 1885"

      http://purl.pt/437/3/#/8

      Eliminar
  18. Caro

    Tem de ler mais textos deste blogue. só lhe fazia bem já que o FC Porto com Pinto da Costa com 80 anos não dá uma para a caixa. aconselho entre mais de uma dezena este em 20 de Janeiro de 2016:


    http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com/2016/01/cosme-ata-serrado.html


    Saudações Desportivas

    Alberto Miguéns

    NOTA: Tenha juízo. Se puder!

    ResponderEliminar
  19. Prezado Miguéns,
    Dou-lhe os meus parabéns, não como adepto de um dos «grandes do futebol» português, mas como historiador, pois a generalidade do seu tópico tem rigor suficiente para desmontar essa ideia (falsa) de que o Futebol Clube do Porto foi criado em 1893-1894. Aliás, a chamada «Taça do Rei» (que não existiu nunca) é o cabaz que tem permitido montar essa ideia sem fundamento.
    Se tiver tempo, gostaria de juntar vários elementos de pesquisa que corrigem e completam a sua ideia. Mas não diga (como alguns adeptos seus repetiram) que as notícias nessa época levavam dias: «não havia telefones nem internet» para se propagarem... se fosse historiador, sabia que o modo de difusão das notícias pelos correspondentes jornalísticos nessa época era o telégrafo, que demorava apenas algumas horas e o jornal podia publicá-las no dia seguinte ou, conforme a quantidade de matéria jornalística, 2 dias depois de recebida na redação. Os grandes jornais na época tinham correspondentes em quase todas as cidades do continente, pelo menos nas capitais de distrito. O correspondente do Diário Ilustrado no Porto era um tal Morais (apenas assinava com o apelido) e, se as suas matérias não chegavam no próprio dia ou seguinte à redação em Lisboa, não era por falta de rapidez, mas de interesse jornalístico que o foot-ball então não tinha...

    ResponderEliminar
  20. Lenda da «Taça do rei»... (Parte I)

    Em 1894 comemoravam-se os 500 anos sobre o nascimento do Infante D. Henrique (O Navegador) e, no ano anterior, a Coroa portuguesa escolheu o Porto, cidade natal do filho de D. João I e principal figura impulsionadora das navegações marítimas portuguesas, como local das celebrações.
    Várias foram as cerimónias agendadas, algumas desportivas, entre elas uma grande corrida de «velocipedia», como então se chamava ao ciclismo que era, então, o «sport» mais popular, sem contar com outros sports aristocráticos dominantes na época, como o críquete, a equitação, o ténis, a esgrima, o automobilismo (até a tauromaquia!)... com muitos piqueniques e festas ao ar livre: era a época das «garden parties».
    Através do seu correspondente no Porto (corrijo, não era Morais, mas Soares), o Diário Ilustrado, de Lisboa, cobriu esses acontecimentos e, por telégrafo, eram remetidas notícias que mais envolviam as cerimónias oficiais.
    No que diz respeito ao «Sport», saiu, por exemplo, a notícia seguinte:

    Diário Ilustrado, nº 7.367 (quinta feira, 28 set. 1893), p. 3
    «Sport: Corridas no Porto
    O Velo Club daquela cidade, uma das nossas associações que mais tem pugnado pelo desenvolvimento do ciclismo em Portugal, pensa em organizar mais uma festa brilhante. É uma corrida internacional, por ocasião das festas que o Porto vai promover, no centenário do Infante Dom Henrique.»

    No mesmo número do jornal, alguém da redação em Lisboa, de acordo com notícias vagas de um novo «Club» portuense, lembrou-se de propor algo que fosse uma novidade no norte do país: um «match» de «foot-bal», desporto novo nessa época, em forma de desafio da cidade do Porto à cidade de Lisboa... e difundiu esta notícia:

    «Sport: Football
    Fundou-se no Porto um club denominado Football Club do Porto, o qual vem preencher a falta que havia no norte do país, de uma associação para os jogadores daquela especialidade.
    No segundo domingo de outubro inaugura-se o club oficialmente, com um match entre os seus sócios, no hipódromo de Matosinhos.
    Ouvimos dizer que serão convidados alguns clubmen de Lisboa.
    Que o Futebol Club do Porto apure um grupo rijo de jogadores e que venha medir-se ao campo com jogadores do Club Lisbonense, do Real Ginásio Club, do grupo de Carcavelos ou [do Club] de Braço de Prata, para animar os desafios de futebol como já o são as corridas de ciclos. Eis o que desejamos.» (a continuar)

    ResponderEliminar
  21. Lenda da «Taça do rei»... (Parte II)

    Um mês depois, nova notícia foi dada pela redação do jornal:

    Diário Ilustrado, nº 7.398 (domingo, 29 out. 1893), p. 3
    «Sport: Football
    O Football Club do Porto acaba de mandar um amável cartão de desafio ao grupo do antigo Club Lisbonense, de Lisboa.
    O cartão convida este grupo a encontrar-se em campos do Porto, no próximo dia 1.
    Em vista da brevidade com que foi feito e empregado o desafio, o Club Lisbonense vai aceitá-lo mas não para dia 1, pois não é possível reunir, escolher o grupo, e dispor a partida em tão curto espaço de tempo.»

    Sabe-se hoje que o lendário desafio, só veio a ocorrer no dia 2 de março de 1894, em plenas comemorações henriquinas. Para isso, contou já com o envolvimento de Guilherme Ferreira Pinto Basto, oriundo, como os seus irmãos, da conhecida família de industriais da fábrica «Vista Alegre» e ligada à aristocracia próxima da Corte. Por intercedência do primogénito Pinto Basto, conhecido «sportsman» nos meios de Belém e Cascais, o rei D. Carlos acedeu a patrocinar o desafio com a oferta de uma taça a entregar ao clube vencedor no jogo a disputar no centenário de D. Henrique. Não foi dada designação a essa taça, se lhe dermos um nome, só pode ser o de «Taça do Infante».
    No seguimento da intercedência de Pinto Basto, uma longa notícia dá conta, já no ano seguinte, de um novo desafio, feito por Lisboa:

    − Diário Ilustrado, nº 7.516 (segunda feira, 26 fev. 1894), p. 3
    «Sport: Football
    O “match” Lisboa-Porto por ocasião do centenário [do infante D. Henrique]
    Deve hoje ser recebido em Lisboa o telegrama oficial com o aceite ou recusa do desafio que o Club Lisbonense fez aos jogadores do Porto.
    É quase certo que será aceite. Cartas particulares o afirmam.
    Como a resposta deve chegar hoje, em nada pode portanto influir a distribuição do campo do C. L., que é, por enquanto, a seguinte:
    Goal keeper: Guilherme Pinto Basto.
    Full backs: Keating e Locke.
    Half backs: N.N., Barley e Rankin.
    Forwards: Afonso Vilar, Pittuck, Carlos Vilar, Thomson e cremos que Palmer.
    Este team foi cuidadosamente organizado por Guilherme Pinto Basto.
    Parece-nos estar nas condições de se bater contra um team de adversários que não tenha tido trainings, reunindo, como ele.
    Os backs levam o seu jogo combinado que os nossos campos conhecem de sobejo.
    Os half-backs nunca jogaram reunidos, mas este lugar pode, como se sabe, dispensar o ensemble. Barley tem sangue frio e conhecimento do jogo no lugar que ocupa. Deve ser colocado na vigia e do mesmo lado que os dois forwards A. e C. Vilar, que certamente vão reunidos.
    Ao centro dos halves parece-nos conveniente colocar N. N., pois a Rankin, que corre muito, mais convém um extremo de linha.
    N. N. é dotado da presença de espírito necessária para os ataques em massa.
    Em forwards o team vai desigual. Qualquer dos que aí vão é de primeira ordem, mas o jogo que se faz em Carcavelos varia muito do que se faz em Lisboa. Ainda há pouco um forward que ali entrou de novo foi o suficiente para desmanchar toda a ligação do ataque. Há de ser difícil a igualdade das velocidades em toda a linha e a passagem da bola entre jogadores que não se conhecem.
    No entanto o que é difícil não é impossível, e por isso gritaremos à inglesa: Lisbonense for ever!»
    (a continuar)

    ResponderEliminar
  22. Lenda da «Taça do rei»... (Parte III)

    O título da notícia anterior não deixa dúvida quanto ao nome que deveria dar-se a esse troféu: Taça Infante D. Henrique.
    E, com essa notícia, a informação recebida pela redação do jornal deixava de ser remetida pelo correspondente no Porto: o tal Soares mostrava ser pouco conhecer desse novo desporto, as notícias que telegrafava eram vagas, realmente telegráficas e muito pouco exatas, como se verá ao destapar a lenda do «Football Club do Porto». O Diário Ilustrado obtinha agora as informações diretamente de Lisboa, via Pinto Basto, e percebe-se que a redação pretendia, desde o início, tornar o desafio num confronto clubístico, à maneira de Lisboa – de um lado o Clube Lisbonense, do outro um Futebol Clube do Porto...
    Mas, na realidade, por parte de Lisboa, não se tratava de um só club – basta analisar com paciência, durante alguns meses de jogos disputados (por exemplo, entre setembro de 1893 e fevereiro de 1894), o plantel dos diversos clubes da capital para se perceber quais os envolvidos. Antes de mais, essa análise de pormenor permite saber que entre o convite portuense e a disputa da célebre taça, Guilherme Pinto Basto esteve ausente do plantel Lisbonense, chegando mesmo a integrar a equipa do Sporting Club de Cascais (ver, por exemplo, Diário Ilustrado, nº 7.397, sábado, 28 out. 1893, p. 3). Não foi possível apurar o motivo deste afastamento temporário de Pinto Basto, mas pode ter sido essa a razão para que o convite proveniente do Porto tivesse resposta adiada.
    A partir da fotografia posta mais acima por Miguéns (e ainda voltarei a ela para uma curiosidade) vou legendar como consta na capa da revista Tiro e Sport, nº 372 (30 jan. 1908), identificando os jogadores e os clubes onde jogavam:

    1º plano - C. Barley (defesa, Braço de Prata) e Carlos Vilar (avançado, Lisbonense)
    2º plano - J. Thomson (avançado, Carcavelos), F. Palmer (avançado, Carcavelos), Guilherme Pinto Basto (guarda-redes, Lisbonense), C. S. Rankin (defesa, Braço de Prata)
    3º plano: Afonso Vilar (avançado, Lisbonense), R. Locke (defesa, Carcavelos), Artur Paiva Raposo (médio defensivo, Estrela), J. Pittuck (avançado, Carcavelos) e M. Keating (defesa, Carcavelos)

    Sabe-se que o Grupo de Lisboa saiu vencedor ao grupo do Porto. Mas o rei D. Carlos nem deu grande importância a esse desafio, como não dava ao futebol: chegou atrasado, estava o jogo a uns 10 ou 15 minutos do final, com o resultado de 0-1 para os visitantes (feito antes do intervalo e mantido até final). D. Carlos era adepto e praticante dos «sports» de elite, antes de mais a caça, seguida de equitação, ténis e automobilismo... no meio de muita festa, muita pose, ao mais alto estilo diletante. Foi a rainha D. Amélia, essa sim admiradora de futebol como o príncipe D. Manuel, quem terá pedido um prolongamento do jogo para lá do regulamentar. Neste «prolongamento» acidental, o grupo de Lisboa marcou mais um golo. O correspondente do Ilustrado no Porto deu esta notícia vaga e confusa no dia seguinte: ao do jogo

    Diário Ilustrado, nº 7.521 (sábado, 3 mar. 1894), p. 2:
    «Lisboa ganhou o football por um goal e um disputado. […] O Rei, depois de assistir hoje à abertura da exposição colonial foi ver o match football. O primeiro prémio foi ganho pelo campeão lisbonense. Era uma taça riquíssima de valor.
    Soares»

    A expressão «um goal e um disputado» quer dizer que o resultado foi de 0-1 no tempo regulamentar (60 minutos de jogo, como era então habitual), com mais um golo para o grupo lisboeta em tempo extra-oficial.
    (a continuar)

    ResponderEliminar
  23. Lenda da «Taça do rei»... (Parte IV)

    Mas, como disse já, o Diário Ilustrado, jornal conservador e monárquico e dirigido por uma personalidade do «High-life» da Corte, tinha o próprio Pinto Basto como interlocutor; dele recebia informações de pormenor e de nível técnico, como grande conhecedor das regras de jogo que aprendera em Inglaterra quando aí estudou. Com o entusiasmo do jogo (e alguma polémica sobre o golo no tempo «regulamentar»), Pinto Basto lançou logo a ideia de transformar a «Taça do Infante D. Henrique» (chamo-lhe assim, com mais rigor) numa «Taça do Rei» a disputar a partir daí. A novidade foi rapidamente conhecida, mas fica para outra parte.
    Entretanto, uns dias depois do jogo, o Ilustrado recebeu indicações mais detalhada sobre o «match», certamente por via de Pinto Basto (a quem a redação do jornal, aliás, subtilmente agradece no fim da notícia), com indicações descritivas e muito técnicas sobre a partida. Mesmo extensa, vale a pena transcrever:

    Diário Ilustrado, nº 7.524 (terça-feira, 6 mar. 1894), p. 3
    « Football
    Match Lisboa-Porto : “Cup” d’El Rei
    […] Conforme os telegramas que o Ilustrado publicou, já é sabido o resultado do 1º match em que foi disputado o cup d’El rei no campo dos Ingleses no Porto [Campo Alegre].
    A partida que estava marcada para as 3 horas e meia, só começou ¼ de hora depois, estando os dois campos assim compostos:
    Por Lisboa:
    Goal kipper: Guilherme Pinto Basto. Full backs: Keating e Locke. Half backs: Clyde de Barley, A. Paiva Raposo e Rankin. Forwards: Afonso Vilar, Pittuck, Thomson, Palmer e Carlos Vilar.
    Pelo Porto:
    Goal kipper: Mac Geock. Full backs: F. Guimarães e A. Nugent. Half backs: A. Dagge, Mac Millan e Albert Kendal. Forwards: F. H. Consonly, Ramos, Mac Kechmie, R. Ray e Alfred Kendal.
    Referre: Mr Eduardo Pinto Basto.
    O C. L. usou o seu fardamento escarlate e branco (grandes quadrados) e o grupo do Porto o costume usual (branco).
    Cada parte foi de 30 minutos. Quando faltavam para acabar a 1ª, o Porto sofreu o 1º goal., marcado pela bola de corner kicked pelo outro partido, bateu no braço de um dos backs, entrando de ricochete no próprio goal deste jogador.
    Foi este goal contestado por motivo de antes ter havido hand – o que não tinha sido denunciado, ou pelo menos, se o foi, não julgado atendível.
    Segundo o nosso informador, o digno referre considerou este goal, e sendo pelas Leis as decisões de um referee sem apelo, é este goal contado.
    O 2º goal foi marcado quando faltavam 10 minutos para acabar a partida e para ele concorreram especialmente [os] Vilar, Rankin e Paiva Raposo.
    Também teve magníficos pontapés Palmer, infelizmente sem efeito porque, segundo parece, os goal postes não estavam à distância legal um do outro, bem como o cross bar do solo.
    De resto, todos os outros clubmen sem especializar, tiveram ocasião de mostrar o seu muito jogo.
    O team do Porto é de 1ª ordem, distinguindo-se todavia Geock, que, quando na Escócia, era o seu primeiro goal keeper; segundo nos dizem, o seu jogo é completamente diferente daquele que estamos habituados a ver fazer.
    Desejávamos especializar ainda outros jogadores deste team, o que não fazemos por não os distinguirmos pelos seus nomes; entre os quais, o mais novo, por exemplo – 15 anos apenas.
    Finda a partida, serviu-se um delicioso buffet num elegante pavilhão que dá sobre o campo.
    Suas Majestades chegaram no fim da partida. A pedido de Sua Maj3estade a Rainha jogou-se mais 10 minutos, previamente estabelecido que não teriam importância no resultado do match que se tinha acabado de jogar.
    Grande parte dos gentlemen de Lisboa já regressaram ao seu home.
    Esta notícia deve acabar pelo nosso sincero elogio ao sr. Guilherme Pinto Basto, o verdadeiro promotor destes matches.» (a continuar)

    ResponderEliminar
  24. Lenda da «Taça do rei»... (Parte V)

    Uma semana mais tarde, Guilherme Pinto Basto (que tudo permite depreender ser, segundo o Ilustrado, «o nosso informador»), deu conta de que já estava na forja a criação de uma «Taça d'El-Rei» destinada a «alargar» os desafios de futebol aos grupos das «diferentes cidades de Portugal». Para isso, o célebre «sportsman» de Lisboa propôs a D. Carlos a aprovação de um regulamento que, entre outras regras, estabelecia que a taça ficaria na posse do grupo que vencesse 3 edições. A notícia teve honras de 1ª página:

    Diário Ilustrado, nº 7.531 (sábado, 13 mar. 1894)
    «Sport. Football. O «cup» d’El-Rei

    Temos o prazer de participar aos nossos prezados leitores desta secção que, devido à extrema amabilidade do sr. Guilherme Pinto Basto, vamos publicar aqui as Leis do Cup d’El-Rei, que deve ser disputado pelas diferentes cidades de Portugal, em desafios de Futebol Association.
    Aquele sr., que tão gentilmente se prestou a tratar com os sportsmen do Porto para a fixação das Leis, vai por um destes dias submete-las ao critério de Sua Majestade El-Rei. Logo que estejam aprovadas, começaremos a publicá-las.»

    Poucos dias passados, o diário lisboeta (17 e 21 de março de 1894) transcreveu integralmente as «Condições», aprovadas em 14 de março, em que deveriam realizar-se anualmente os desafios dessa taça, destacando aqui apenas alguns dos pontos:
    - os jogadores são escolhidos «pelas direções de todos os clubes ou grupos de futebol de cada cidade», «jogando os 11 melhores» de cada;
    - cada grupo terá de incluir um mínimo de 6 jogadores portugueses, desde que inscritos em clubes há mais de 3 meses;
    - o «captain» é escolhido pelo 11 de cada «team» e é esse que trata do desafio;
    - cada cidade concorrente terá de combinar os jogos entre as várias cidades com o «captain» do grupo possuidor da taça;
    - a equipa vencedora num ano só terá de disputar a final do ano seguinte com o grupo da cidade que vencer os outros jogos;
    - em caso de empate, o jogo será repetido no mesmo ano, até haver um vencedor;
    - a taça recebida será entregue ao capitão do grupo vencedor e responsável pela escolha da sua localização;
    - a taça será «entregue definitivamente à cidade que a ganhar 3 vezes consecutivas».

    Estas regras ou «condições» espelham a experiência do jogo de 2 de março, se pensarmos na restrição ao número de jogadores estrangeiros (o grupo do Porto tinha jogado com 9) e no desempate obrigatório (o mesmo grupo não aceitou o 1º golo sofrido).
    Vale a pena referir que, nesse jogo mítico, o grupo do Porto não aceitou o golo sofrido na 1ª parte porque… fora autogolo e marcado com a mão na sequência dum canto! Ora, pelas regras já existentes na altura (António Vilar só viria a fixar oficialmente as regras do futebol em 1906), o árbitro do jogo tinha a decisão final entre assinalar penalti (mão na bola de um defesa) ou considerar o golo válido. Decidiu por este último, mas o «team» do Porto não deixou a bola ir ao centro e repôs com pontapé de baliza; valeu, na prática, o outro golo apontado pelo grupo de Lisboa no tempo «suplementar» do jogo.
    Mas o certo é que não voltou a realizar-se qualquer desafio - ficou apenas essa única edição da «Taça Infante D. Henrique», acabou por não haver nenhuma «Taça do Rei»!

    Quanto à lenda do Foot-Ball Club do Porto, a história é mais engraçada, mas cheia de sombras, e pode contar-se em palavras muito mais breves (fica para a próxima).

    ResponderEliminar
  25. Taça Porto-Lisboa de 1894... (curiosidades)

    A disputa do célebre «desafio» entre dois grupos de jogadores de Lisboa e do Porto, em 2 de março de 1894, merece algumas notas e, sobretudo, levanta uma curiosidade.

    Antes de mais, o termo «desafio», ainda hoje usado para nos referirmos à disputa de qualquer jogo de futebol, resulta da circunstância de que, antes de instituídos os torneios oficiais – com a criação de Ligas ou Associações regionais de futebol –, os jogos realizarem-se a partir de desafios lançados pelo «captain» de uma equipa ao «captain» de outra equipa. Não era tarefa de presidentes ou direções de clubes. Isso fica claro, por exemplo, nas «Condições» redigidas por Guilherme Pinto Basto para a organização, falhada, de uma Taça do Rei. Para quem está dentro da história do desporto, nomeadamente na origem do «football», sabe que os desafios eram combinados entre «gentlemen» e os «teams» eram representados pelos «captains».

    Daí, uma outra nota sobre o «match» de 1894: depois do convite oriundo do Porto no ano anterior, a ser verdade que Nicolau de Almeida assinou como Presidente de um FootBall Club do Porto, certo é que Guilherme Pinto Basto inverteu a fórmula do desafio portuense e enviou, em fevereiro desse ano, telegrama pessoal para o Porto (desconhece-se a quem, mas não seria difícil ao irmão Eduardo Pinto Basto, negociante de transportes marítimos em conjunto com ingleses com sucursais no Porto, ter conhecimentos pessoais junto da «colónia» estrangeira na cidade invicta). Conforme a notícia do Diário Ilustrado (26 fev. 1894), veio a receber o «telegrama oficial com o aceite» para o «match».

    A curiosidade diz respeito à fotografia do «team» lisboeta publicada em janeiro de 1908 como capa da revista Tiro e Sport (identifiquei os clubes em que alinhavam os vários jogadores). Até hoje, nunca foi identificado o autor, não obstante a qualidade indique o trabalho de um bom fotógrafo e cuidado de laboratório no produto final.
    Ora, sabemos por mais do que uma notícia no Diário Ilustrado que, depois de disputado o célebre «match», estava a ser elaborada e foram, finalmente, executadas várias cópias de uma «chapa» tirada à equipa vencedora para venda aos intervenientes do jogo. Identifica-se mesmo que a fotografia estava a cargo do jornal Sport, o primeiro periódico português da especialidade.
    Felizmente, uma notícia desgarrada e brevíssima de «fait-divers» jornalísticos nos dias que antecederam o jogo dá conta de um viajante especial, deslocado para o Porto como repórter, para cobrir fotograficamente as comemorações henriquinas:

    Diário Ilustrado, nº 7.519 (sábado, 1 mar. 1894), p. 2
    «Sport
    Parte hoje para o Porto o nosso amigo sr. J. Benoliel, que vai representar O Sport nas festas henriquinas.»

    Trata-se de Joshua Benoliel (1873-1932), o primeiro grande repórter fotográfico do nosso país, uma lenda na captação dos ambientes e acontecimentos urbanos, então no início da sua carreira, com cerca de 20 anos, antes de se tornar famoso ao serviço de O Século e da Ilustração Portuguesa. Resta acrescentar que Benoliel era um admirador de «sports», em particular do «football», que chegou a jogar e arbitrar, nessa época, como adepto do Real Ginásio Club.

    ResponderEliminar

Em Defesa do Benfica no seu E-mail