Este Blogue tem como objectivo a defesa intransigente do Sport Lisboa e Benfica e da sua Gloriosa História. Qualquer opinião aqui expressa vinculará apenas os seus autores - Alberto Miguéns e António Melo.

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17/01/2017

Vamos Lá Ganhar o Campeonato! (Parte I)

17/01/2017 + 0 Comentários
O BENFICA JÁ DESPERDIÇOU UMA VANTAGEM DE QUATRO PONTOS NO FINAL DA PRIMEIRA VOLTA. FOI EM 1958/59.


Mas o FC Porto era treinado por Béla Guttmann. Não era por Nuno Espírito Santo e o Padre Nosso PdC com 79 anos. Mas "virou" para a segunda volta com três pontos de vantagem para o segundo (CF "Os Belenenses"). O FC Porto é que estava a quatro pontos, em 3.º lugar! Hoje os 35 campeonatos nacionais conquistados pelo Sport Lisboa e Benfica. Todos diferentes!

O Benfica, FC Porto e Sporting CP têm 80 em 82
Os três clubes só cederam dois títulos de campeão nacional em 82 edições da competição: em 1945/46 para o CF “Os Belenenses” e em 2000/01 para o CF “Os Belenenses”. Os restantes 80 foram distribuídos entre eles: SLB (35), FCP (27) e SCP (18).

Nesses 35 em sete houve um clube em 2.º lugar que não foi o FC Porto nem o Sporting CP
1936/37 – CF “Os Belenenses”
1954/55 - CF “Os Belenenses” (2)
1966/67 – Associação Académica Coimbra
1971/72 – Vitória FC Setúbal
1972/73 – CF “Os Belenenses” (3)
1975/76 – Boavista FC
2009/10 – SC Braga

Nesses 35 em 12 houve um clube em 3.º lugar que não foi o FC Porto nem o Sporting CP
1941/42 – CF “Os Belenenses”
1942/43 – CF “Os Belenenses” (2)
1944/45 – CF “Os Belenenses” (3)
1949/50 – Atlético CP
1956/57 – CF “Os Belenenses” (4)
1959/60 – CF “Os Belenenses” (5)
1964/65 – GD CUF Barreiro
1968/69 – Vitória SC Guimarães
1972/73 – Vitória FC Setúbal
1975/76 – CF “Os Belenenses” (6)
1986/87 – Vitória SC Guimarães (2)
1988/89 – Boavista FC

Os primeiros dos últimos nos 35 títulos do “Glorioso”
Em 69 emblemas que já participaram em 83 edições do campeonato nacional apenas sete conseguiram ficar à frente do “Glorioso”: os quatro clubes que já foram campeões nacionais, o SC Braga e UD Leiria (em 2000/01) e o Vitória SC Guimarães (em 2007/08). Nos 35 títulos do Benfica são dez (em 69) os clubes que ficaram imediatamente atrás.

Clube
2.º
3.º
 FC Porto
17
8
 Sporting CP
11
15
 CF “Os Belenenses
3
6
 Boavista FC
1
1
Vitória FC Setúbal
1
1
Associação Académica Coimbra
1
-
SC Braga
1
-
Vitória SC Guimarães
-
2
Atlético CP
-
1
GD CUF Barreiro
-
1
Dez clubes em 69!
35
35

Como é que o “Glorioso” conseguiu conquistar 35 campeonatos
Historiar as 35 conquistas do “Glorioso” no campeonato nacional, é algo que impressiona qualquer apaixonado pelas estatísticas do Futebol. Ainda mais se as compararmos com os 27 títulos do FC Porto e os 18 do Sporting CP. Estes dois clubes também têm conquistas épicas, mas em muito menor percentagem que as do Benfica. Foram, globalmente, mais fáceis. Talvez também esta epicidade Benfiquista tenha contribuído para a aura de superação e popularidade do “Glorioso”. Pelo menos até aos anos 60!


Dois gigantes do Benfiquismo "educados nesta nobre Arte de o Ser" por Cosme Damião: António Ribeiro dos Reis e Vítor Gonçalves

01. Em 1935/36 (14 jornadas) com o treinador Vítor Gonçalves na primeira volta liderávamos em igualdade pontual com o Sporting CP e pensou-se que a segunda volta seria “canja” com os dois principais jogos no estádio das Amoreiras. O facto é que o FC Porto (campeão em título: 1934/35) que estava em 3.º lugar conseguiu recuperar dois pontos terminando a um! Consequência: António Ribeiro dos Reis (capitão-geral ou seja responsável pelo futebol) anunciou no Boletim Oficial do Clube. Estava no tempo certo para mudar o futebol do Clube desde 1904 e ir “contra” o pensamento dos associados. Deixar de ter treinadores obsequiosos que tivessem jogado no Clube e contratar um treinador estrangeiro. Os associados Benfiquistas recusavam treinadores portugueses ex-futebolistas noutros clubes pois entendiam que a simpatia iria enfraquecer o “Glorioso” frente aos ex-clubes desses treinadores. Prensavam à Benfica transpondo para terceiros o mesmo fervor. Eu faria o mesmo. Se fosse Benfiquista e treinasse o FCP ou SCP arranjaria maneira de fazer com que o SLB “me ganhasse”;



02. Em 1936/37 (14 jornadas) com Lipo Herczka o Benfica domina a primeira volta (mais dois pontos que o SCP). Mas seria o CF “Os Belenenses” (a três pontos, no final da primeira volta) a ficar em 2.º lugar;

03. Em 1937/38 (14 jornadas) o “PRIMEIRO TRI” com Lipo Herczka foi o campeonato da superação. No final da primeira volta todos anunciavam o fim do reinado do Benfica. «Mesmo com os dois jogos mais difíceis nas Amoreiras terminar as sete jornadas iniciais a um ponto do FCP era o adeus ao título». Está bem está! Uma segunda volta “canhão” arrumou com todos. Apenas dois empates no terreno do SCP e do FCP (e cinco vitórias)! Venha o TRI;



04. Em 1941/42 (22 jornadas devido ao alargamento para o FC Porto não jogar na II Divisão) Janos Biri consegue terminar a primeira volta colado ao Sporting CP (ambos com 18 pontos) mas vantagem do SCP na diferença de golos (+ 41 para os nossos + 22). Quem tinha Peyroteo tinha golos! A segunda volta foi um “festival vermelho”. Em onze jogos dez vitórias e uma derrota e que derrota. Levámos quatro-a-zero do CF “Os Belenenses” que terminou em 3.º lugar a oito pontos do “Glorioso”. O SCP conseguiu em golos (+ 62) mas os nossos (+ 40) deram mais quatro pontos! O pragmático Biri ganhava carisma. Um dos cinco melhores treinadores do Benfica;

05. Em 1942/43 (18 jornadas) Janos Biri termina a primeira volta “colado” ao líder CF “Os Belenenses” ambos com 16 pontos, mas o clube das Salésias com melhor diferença de golos (+ 37) para os nossos miseráveis (+ 26). Era um campeonato charneira pois Biri decidira mudar (rejuvenescer) aproveitando ter ganho. Foi a época de estreia de Manuel Jordão, Carlos Brito e Guia Costa, mas principalmente de Julinho e Rogério (o nosso decano – ainda ontem falei com ele a propósito deste texto para hoje – está rijo como deve estar um Benfiquista a caminho dos 95 anos). No final Biri ainda ganhou mais respeito dos Benfiquistas. A sua aposta revelara-se acertada, embora o Sporting CP que estava a três pontos no final da primeira volta terminasse em segundo a um escasso ponto. Eis o PRIMEIRO BI com “dobradinha” frente ao Vitória FC Setúbal, nas Salésias do CF “Os Belenenses” (ainda não havia Estádio Nacional);   

06. Em 1944/45 (18 jornadas) Janos Biri consegue dominar o campeonato do início ao seu final. Na primeira volta mais três pontos de vantagem para os 2.ºs classificados (SCP e FCP). No final o CF “Os Belenenses” é que foi segundo – a três pontos – recuperando um ponto pois no final da primeira volta estava a quatro de diferença. Bogalho (então “apenas” responsável pela secção de Futebol) não gostou. E quando Bogalho não gostava…ficava-se em “maus lençóis”. Félix provou bem disso, daquele que considero o melhor presidente – e foi muitíssimo mais do que isso - da Gloriosa História!



07. Em 1949/50 (26 jornadas) Ted Smith não deu hipóteses. A Imprensa justificou que o SCP não conseguira substituir Peyroteo para conquistar o quarto título consecutivo, pois Mário Wilson era um fracasso a avançado-centro. Mas o campeonato de 1949/50 foi muito mais do que isso. Foi sempre a ganhar vantagem. E depois a “cereja no topo do bolo” com a conquista da Taça Latina, numa época em que a Taça de Portugal não se disputou depois do SLB afirmar que daria prioridade à Taça Latina, na segunda edição deste troféu;



1 de Dezembro de 1954. O nosso Joaquim Ferreira Bogalho emocionado na inauguração da "Catedral". Atrás o único que resta dessa gesta notável, embora muito debilitado, a viver num Lar nas Caldas da Rainha...Gastão Silva

Obrigado Presidente Bogalho! Todos os títulos a partir do oitavo deviam de lhe ser atribuídos!
08. Em 1954/55 (26 jornadas) uma conquista história. Só este oitavo título em 35 dava uma série de textos.

A. O presidente Bogalho (eleito a primeira vez em 15 de Março de 1952, que só por isso esse dia devia ser Feriado Nacional) decide mudar o futebol. Foi a terceira fase do Glorioso Futebol, depois da organização inicial de Gourlade/Cosme Damião entre 1904-1926 e António Ribeiro dos Reis, entre 1926 e 1954. Otto Glória. Os dois mandatos iniciais foram para conseguir erguer a “Saudosa Catedral” de modo a ficar “paga totalmente até ao tostão” quando fosse inaugurada para não deixar encargos para o seu(s) sucessor(es);



B. Após a segunda reeleição (30 de Janeiro de 1954, pois os mandatos eram anuais) decide mudar radicalmente, apostando na profissionalização completa acabando com o semi-profissionalismo (os futebolistas tinham emprego extra-futebol em muitos casos arranjados pelo Clube) deixando estes de ter “desculpas”. Contrata o treinador Otto Glória, adquire o autocarro e aluga no topo da Calçada do Tojal (Benfica) o “Lar do Jogador” para instalar os solteiros e fazer estagiar os casados na véspera dos jogos. A grande perplexidade entre associados era o porquê de sendo reeleito em 15 de Março de 1955 para um quarto mandato não tomava posse! Depois soube-se. E teve a ver com o que se passou no campeonato;

C. A primeira volta foi irrepreensível. O SLB apresentava um futebol muito organizado – a célebre diagonal – tão organizado que levou os adeptos do Benfica ao desespero. Que raio de jogo é este! «O Benfica já não joga à Benfica!» Os resultados calavam o desespero dos adeptos. Em 13 jogos, dez vitórias e três derrotas (em Guimarães, Braga (Estádio Nacional ainda a única vitória do SC Braga em casa do Benfica) e Barreiro). Golos: + 21 (31 – 10). O Benfica sofria menos de um golo por jogo, mas marcava pouco. O Tetracampeão SCP estava em 3.º lugar, a três pontos, com 37/14 (+ 23 em golos) ex-aequo com o FC Porto, com 31/13 (+ 18 golos). O SC Braga era 2.º (a um ponto). O CF “Os Belenenses” era 5.º (a quatro pontos) e era dado como afastado do título apesar de…Matateu marcar de toda a maneira e feitio!;

D. Na segunda volta a diagonal revoltou os Benfiquistas pois na 23.ª jornada o “Glorioso” perde 0-3 no Porto, frente ao FC Porto, e o “morto” CF “Os Belenenses” passa para líder…a três jornadas do final. Na 20.ª jornada até empatara na “Saudosa Catedral” entretanto inaugurada. Bogalho reeleito em 15 de Março vê a sua aposta de risco de início de época «ir por água abaixo» em 20 de Março, data da ruinosa 23.ª jornada. Decide (sem o dizer) não tomar posse. Manteve-se como presidente em gestão. Até Cândido de Oliveira num notável artigo no jornal “A Bola” – antes dessa jornada ruinosa no Porto) acaba por vir em auxílio de Bogalho e Otto Glória: «O Benfica já não joga à Benfica e joga melhor». E tinha moral para o dizer pois fui futebolista do Benfica na segunda metade da década de dez até “desertar” em final da temporada de 1919/20 para fundar o Casa Pia AC;

E. Após a 25.ª e penúltima jornada os adeptos e Imprensa ficaram estupefactos. Dali a uma semana três clubes podiam ser campeões. O CF “Os Belenenses” só dependia dele, mas recebia, no estádio das Salésias, o Tetracampeão Sporting CP. Acumulara 38 pontos. O Sporting CP tentava o Penta. Estava em 3.º lugar com 36 pontos (a dois do adversário) mas uma vitória colocava-o igual em pontos (38) na dianteira do CF “Os Belenenses” no critério de desempate. Perdera por 1-2 no seu Lumiar mas vencendo no terreno do CF “Os Belenenses”, mesmo por 1-0, igualava este critério de confronto directo mas superava em diferença de golos: + 47 (72/25) frente ao clube de Matateu (que foi o melhor marcador com 32 golos) pois o cule das Salésias registaria (com D 0-1): + 34 (61/27). E o que interessa? O Benfica corria por fora recebendo na “Saudosa Catedral” o Atlético, 9.º classificado. O “Glorioso” com 37 pontos, em 2.º lugar, estava a um escasso ponto do líder tendo vantagem no confronto directo: vitória (2-1) nas Salésias, onde fazia geralmente bons resultados – dizia-se por ter nascido lá perto - e empate (sem golos) na Luz. Teria de vencer o ACP, fazer 39 pontos, e esperar que o SCP vencesse fazendo 38 pontos igualando o adversário que já os tinha. Ou empatando. Passaria para 37, mas o CF “Os Belenenses” ficaria com 39, tantos quantos os do Benfica mas em desvantagem perante o “Glorioso” (DE);

F. Na última jornada o “golpe de teatro”. O CF “Os Belenenses” marcam o 1-0 logo de início. O Sporting CP dez minutos depois empata. A chegar ao intervalo Matateu faz o 2-1 (e o 32º golo em 26 jogos). Na Luz, só com 1-0 (por José Águas) amaldiçoava-se o “raio da diagonal do brasileiro”. Depois do intervalo o Benfica chegou rapidamente aos 39 pontos, com o 3-0. «Hoje nem cem-a-zero» dizia-se entre os Benfiquistas, contado por Macarrão! Nas Salésias, aos 86 minutos, consta que depois de um gesto feio do guarda-redes José Pereira para o avançado-centro Martins este marca o 2-2. O Benfica passava a liderar com 39 pontos, o CF “Os Belenenses” com 39 pontos e o Sporting CP com 37 pontos. E o Benfica era campeão. A quatro escassos minutos de uma edição que teve 2340 minutos (26 jornadas)! Também temos direito a ter sorte. E aquela baliza do lado da antiga casa de Pepe (lado Oriental) onde Martins “fez estragos” devia ter sido comprada pelo Benfica!

G. Estávamos a 24 de Abril. Dia da Gloriosa Sorte! E depois ainda ganhámos a Taça de Portugal (12 de Junho de 1955, com 2-1 ao Sporting CP). Afinal a diagonal era bem boa. E Cândido de Oliveira como habitualmente tinha razão. O Benfica deixara de jogar a correr desordenadamente até estoirar para jogar “pensado!”


O início do Benfica Moderno. 1954!
H. E a tomada de posse? Pois não é que um presidente eleito em 15 de Março só tomou posse a…5 de Maio! Depois do Benfica campeão em 24 de Abril. E disse porquê. «Se o Benfica não fosse campeão, não tomava posse e convocava eleições para os associados escolherem outro rumo!» Por isso quando me levanto todos os dias e penso que sou Benfiquista, são raras as vezes que não penso em Bogalho. E quando tenho de tomar decisões como associado do Benfica (e até neste blogue) penso sempre. O que faria Bogalho no meu lugar. Será sempre para mim enquanto viver o Meu Presidente dos Presidentes, Mesmo que algum outro consiga conquistar dez Ligas dos Campeões! Não são os títulos que me fazem ter orgulho em Ser Benfiquista (embora sejam bem saborosos). São os exemplos que há na Gloriosa História.

35 TÍTULOS DO “GLORIOSO” (OITO PRIMEIROS)

Época
Adversários
Resultados na primeira volta
Primeira
Volta*
FINAL
FCP
SCP
3.º***
Cls
Situação**
DP. 2.º
1

1935/36
(F) E 2-2
+ 3
(F) V 4-2
-
1.º
= (+ 1)
+ 1
1936/37
(F) D 1-2
(F) V 4-1
(C) V 2-0
+ 3
1.º
+ 2 (- 1)
+ 1
1937/38
(C) V 3-1
(C) V 3-2
-
2.º
- 1 (+ 1)
=
2 + 1

1941/42
(F) D 1-4
(F) V 4-1
(C) V 2-1
2.º
=   (+ 4)
+ 4
1942/43
(C) V 12-2
(F) D 2-3
+ 3
(C) V 4-2
2.º
=   (+ 1)
+ 1
1

1944/45
(F) D 3-4
(F) V 2-0
(F) V 3-1
+ 4
1.º
+ 3   (=)
+ 3
1 + 3

1949/50
(F) V 1-0
(F) V 2-1
(C) V 4-0
1.º
+ 2  (+ 4)
+ 6
4

1954/55
(C) V 1-0
(F) V 1-0
(F) V 2-1
+ 4
1.º
+ 1 (- 1)
=
NOTAS: * Entre parêntesis pontos recuperados (+), igualdade (=) ou perdidos (-) durante a segunda volta; ** Pontos para o primeiro ou a quantos do segundo classificado (pontos recuperados ou perdidos na segunda volta); *** O adversário que ficou em 1.º, 2.º ou 3.º lugar não sendo o FCP ou o SCP

Hoje já não consigo escrever mais!


Alberto Miguéns
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