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14/07/2017

Pedras no Quarto Anel

14/07/2017 + 2 Comentários
«Prefiro jogar toda a vida na Reserva do Benfica do que mudar para a equipa principal de qualquer outro clube»



Foi esta a frase que José Maria de Freitas Pereira disse quando, após uma época no Benfica, os dirigentes tentaram envolvê-lo na transferência de Iaúca do CF "Os Belenenses" para o Benfica, no início da época de 1963/64.


Da esquerda para a direita. Peridis, Pedras, Germano, Cruz, Jacinto Santos, José Augusto, Eusébio, José Torres, Coluna, Simões, Cavém, Raúl e Costa Pereira. Fotografia do inigualável Roland Oliveira

NOTA INICIAL: Surpreendido com a notícia do seu falecimento (que me chegou já depois de sepultado) vou actualizar o que for possível ao longo desta tarde/noite!

Pedras nasceu, em Guimarães, a 29 de Outubro de 1941 e faleceu na Amora (Seixal) em 11 de Julho de 2017. Tinha 75 anos.


Duas Glórias do Benfica vindos na mesma época do Vitória SC Guimarães: Pedras e Augusto Silva. Fotografia do inigualável Roland Oliveira


Formado no Vitória SC foi internacional júnior e depois um dos esteios do plantel vitoriano durante duas épocas, em 1960/61 e 1961/62, temporadas em que o "Glorioso" se sagrou Campeão Europeu.

As aquisições para 1962/63 (da esquerda para a direita): Raúl, Augusto Silva, Jacinto Santos e Pedras. A seguir, de perfil, deve estar um dirigente do "Glorioso". Identificação com a prestimoso contributo de Victor João Carocha. Fotografia do inigualável Roland Oliveira
A estreia no Benfica ocorreu na temporada de 1962/63 na tentativa de dotar o plantel treinado por Riera com futebolistas para conquistar a ambicionada TERCEIRA Taça dos Clubes Campeões Europeus. Com ele chegou, também de Guimarães, do Vitória SC, Augusto Silva. Além de Raúl e Jacinto do Leixões SC. E o guarda-redes Rita (primo de Cavém), vindo do SC Covilhã.


Talvez a maior tarde/noite de Glória de Pedras. Em 30 de Setembro de 1965, em Esch-Sur-Alzette, no estádio Emile Mayrisch, na primeira mão dos dezasseis-anos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o "Glorioso" derrota, por 8-0, o campeão do Luxemburgo (Stade Dudelange) naquela que ainda é a maior vitória em terreno alheio do Benfica para as competições da UEFA. Pedras fez o 1-0, 2-0 e 6-0, uma série de três golos num jogo em ambiente adverso. Iaúca (dois), Serafim (dois) e o capitão Santana (um) fizeram os restantes golos. Fotografia digitalizada da página 11 a colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Enquanto futebolista do "Glorioso" consagrou-se com o Tricampeonato nacional, entre 1962/63 e 1964/65 e conquistou a célebre Taça de Portugal, em 1963/64, numa vitória por 6-2, frente ao FC Porto, obtida em 5 de Julho. O mês em que morreu e foi sepultado...43 anos depois!


Equipa da temporada de 1963 / 64. Da esquerda para a direita. De cima para baixo: Neto, Ângelo, Raúl, Cruz, Coluna e Costa Pereira; Augusto Silva, Eusébio, Torres, Serafim e Pedras. Fotografia digitalizada da página 32 da colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Conquistou também a Taça de Honra de Lisboa em 1962/63 após vitórias por 4-0 ao Sporting CP (Pedras marcou um golo) e na final ao Atlético CP (V 3-1).


Pedras frente ao FC Porto. Fotografia digitalizada da página 17 da colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Jogou quatro temporadas até 1965/66 saindo no final desta para o Vitória FC Setúbal envolvido no transferência de Jaime Graça para o "Glorioso". 


Pedras marca um golo ao Lusitano GC Évora na "Saudosa Catedral". Fotografia digitalizada da página 5 da colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Representou o Vitória FC Setúbal (1966/67 e 1967/68), Sporting CP (1968/69 a 1970/71), Atlético CP (1971/72 e 1972/73), SU Sintrense (1973/74) e Seixal FC (1974/75 e 1975/76) onde iniciou a carreira de treinador. Tinha 34 anos.


Pedras frente ao SCU Torreense na "Saudosa Catedral". Fotografia digitalizada da página 21 da colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Treinou depois inúmeros clubes da Grande Lisboa, com destaque para uma dezena de emblemas da margem sul do rio Tejo.


Pedras como extremo-esquerdo, remata no jogo de inauguração do estádio do Mar, frente ao Leixões SC, em 1 de Janeiro de 1964. Fotografia digitalizada da página 23 da colecção "Ídolos do Desporto"; 4.ª série; N.º 5; 5 de Fevereiro de 1966

Não foi fácil conseguir falar com ele. Fui ao Seixal FC que me enviou para a Câmara Municipal, pois reformou-se como empregado da autarquia. Há uns seis anos senti-o desapontado com o Benfica, pois perante o meu espanto de nunca o ver em actividades do Clube habitando tão perto do estádio do "Glorioso", disse-me que «agora só se interessam por vedetas ou por quem se faz passar por elas». Confessou-se sportinguista em criança mas Benfiquista de coração. Talvez das últimas palavras que troquei com ele foi: «Um futebolista que honra o "Manto Sagrado" jamais será esquecido porque,

É um dos nossos»

Alberto Miguéns

NOTA FINAL: Como este blogue não copia informações de outras plataformas que pululam pela internet com informações recopiadas de uns e outros e por vezes repletas de mais desinformações que informações o facto de não ter conseguido saber atempadamente do seu falecimento obriga a que fique para mais tarde a merecida homenagem a um futebolista que honrou o "Manto Sagrado" durante quatro temporadas. Está previsto para 30 de Agosto, data em que se assinalam os 55 da sua estreia com o "Manto Sagrado" em...Oslo!
2 comentários
comentários
  1. RIP. É mais um a fazer força para o PENTA!!!

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  2. Que descanse em Paz. Notícia muito triste.

    O Alberto resume tudo dizendo que Pedras era um dos nossos.
    Pedras era um marcador de golos. Teve azar em vestir o manto sagrado numa altura em que o SL Benfica tinha um ataque demolidor com os melhores que alguma vez usaram a Águia ao peito. Nesse tempo outros excelentes jogadores tiveram o mesmo problema, Iaúca, Serafim entre outros. Até o genial Santana.
    Esse quarto anel cresce deixando a Saudade e a Gratidão nos anéis cá de baixo.

    Honra e gratidão à memória de Pedras. Um dos nossos.

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